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Estudo alerta que emissões
têm que cair a partir de 2020
Eric Brücher Camara
da BBC Brasil
Os níveis de gases que
provocam o efeito estufa precisam começar a cair em 2020
para evitar consequências potencialmente desastrosas,
alerta um estudo divulgado na reunião das Nações Unidas
sobre clima em Copenhague por um dos mais respeitados
centros de pesquisa sobre mudança climática, o Met
Office, da Grã-Bretanha.
Para que o aumento de temperatura da Terra se limite a
2ºC, a meta recomendada pelo Painel Intergovernamental
para Mudanças Climáticas (IPCC) em seu relatório de 2007
e adotada pelos países do G8 em sua cúpula de julho, as
emissões precisam atingir um pico dentro de dez anos.
A partir daí, elas teriam que cair cerca de 5%
anualmente. Mesmo assim, a probabilidade de o aumento de
temperatura ficar abaixo de 2ºC é de apenas 50%, de
acordo com o Met Office.
O problema é que, até antes da crise econômica mundial,
as emissões do planeta vinham crescendo cerca de 3% ao
ano. Ou seja, para que em apenas dez anos elas comecem a
cair, seriam necessárias ações drásticas.
Negociação difícil
Nos três primeiros dias da reunião em Copenhague,
negociadores de 192 países enfrentaram muitos problemas
para avançar no sentido de um acordo global que
possibilite esse tipo de ações.
A desconfiança entre países ricos e em desenvolvimento e
até mesmo sinais de desgaste entre o segundo grupo
parecem estar dificultando um entendimento. A reunião
acaba no dia 18 de dezembro, depois da participação de
cerca de 110 líderes mundiais.
Se as emissões continuarem a subir depois de 2020, o Met
Office afirma que a única forma de manter o aumento da
temperatura terrestre abaixo dos 2ºC seriam os chamados
projetos de geoengenharia – para retirar o gás carbônico
da atmosfera.
Entre essas propostas, estão algumas que soam como
ficção científica: espelhos no espaço que refletiriam de
volta os raios do sol, “árvores” artificiais que
sugariam o dióxido de carbono do ar para compartimentos
que poderiam ser enterrados ou ainda a criação de nuvens
com sprays de água no ar.
Mesmo os projetos de geoengenharia já em teste, como
Captura e Armazenamento de Carbono (CCS, na sigla em
inglês) – que retira o gás produzido pela queima de
carvão em usinas e o prepara para armazenamento – ainda
estão longe de serem viáveis economicamente. Pouco se
sabe sobre os reais custos ambientais, sociais e
financeiros deste tipo de operação. E muito menos as
consequências que eles poderiam ter sobre a Terra.
Copenhague: EUA prometem
bom
senso para controlar
emissões
Brasília - A diretora da
Agência de Proteção Ambiental (EPA) norte-americana,
Lisa Jackson, afirmou nesta quarta-feira (9) que os
Estados Unidos vão adotar medidas de "bom senso" para
conter as emissões poluentes e proteger a saúde dos seus
cidadãos. As informações são da agência portuguesa Lusa.
Durante o terceiro dia da 15ª Conferência das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), ela disse que
o país precisa de uma legislação capaz de eliminar
qualquer incerteza sobre o assunto. Lisa garantiu que a
agência vai trabalhar "em estreita colaboração” com o
Congresso norte-americano para aprovar leis que reduzam
as emissões em mais de 80% até 2050.
Os Estados Unidos, juntamente com a China, são
responsáveis por 40% das emissões globais de carbono e
têm sido criticados por conta da lentidão da aprovação
de uma espécie de pacote climático, previsto para 2010 –
e sem o qual será muito difícil obter um avanço real nas
negociações.
Na última segunda-feira (7), a Agência de Proteção
Ambiental (EPA) norte-americana já havia feito o anúncio
de que as emissões de gases de efeito estufa não apenas
são responsáveis pelo aquecimento global mas constituem
uma ameaça à saúde pública.
Reunião do clima começa em
meio
a incerteza sobre acordo
Eric Brücher Camara
da
BBC Brasil
Foto: BBC Brasil
O
primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Loekke Rasmussen,
abriu a 15ª reunião das Nações Unidas sobre mudanças
climáticas em Copenhague dizendo que a reunião é uma
"oportunidade que o mundo não pode se dar ao luxo de
perder". Perante representantes de 192 países, Rasmussen
defendeu a necessidade de se chegar a um acordo "forte e
ambicioso" definindo as diretrizes do combate ao
aquecimento global que substituirão o Protocolo de
Kyoto.
A reunião está prevista para durar duas semana, e a
ideia é que se chegue a um acordo até o dia 18 de
dezembro. Mais de 15 mil pessoas devem passar pelo Bella
Center. Cerca de cem líderes internacionais já
confirmaram presença para os últimos dias do encontro,
entre eles Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente dos
Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela
Merkel, o presidente da França, Nicolas Sarcozy, e
outros das maiores potências mundiais.
No domingo, o secretário-geral da convenção da ONU para
o clima, Yvo de Boer, disse à BBC que o encontro marca
uma “virada” nos debates sobre o tema, dizendo estar
mais otimista do que nunca por causa do número “sem
precedentes” de propostas de países. Boer e os mais
otimistas ganharam um argumento a mais no domingo, com o
anúncio da África do Sul de cortes de 34% nas suas
emissões nos próximos dez anos. O plano prevê que os
cortes atinjam um pico de 42% em 2025 e depois se
estabilizem e comecem a cair.
A África do Sul foi o quarto país de economia emergente,
depois do Brasil, da China e da Índia, a prometer cortes
de emissões recentemente. Os anúncios, entanto, por não
representarem metas obrigatórias e, sim, voluntárias e
não sujeitas à verificação pelo acordo, não resolvem um
dos principais focos de divisão entre países ricos e em
desenvolvimento.
As diferentes posições entre os dois grupos são apenas
um dos assuntos que devem causar polêmica nestas
próximas duas semanas. O recente escândalo detonado pela
publicação de milhares de arquivos e emails pessoais da
Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, também
prometem aquecer as discussões.
Os emails, trocados por cientistas sobre como apresentar
dados sobre o clima, vêm sendo usados como suposta prova
de que as pesquisas sobre aquecimento global foram
manipuladas.
Defesa do IPCC
Os chamados “céticos”, aqueles que discordam do consenso
científico representado pelo Painel Intergovernamental
para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês),
usaram o material para fortalecer o argumento de que o
aquecimento global é fruto de manipulação de dados. No
entanto, um comunicado do IPCC defendeu neste domingo os
relatórios do grupo, afirmando que estão cientificamente
corretos e que o aquecimento global é “inequívoco”.
Yvo de Boer também comentou o caso, dizendo não
acreditar que exista qualquer outro processo “tão
completo, tão detalhado” quanto o do IPCC. Os cientistas
do IPCC concluíram com 90% de probabilidade que o
aquecimento do planeta provocado pela atividade humana
foi de cerca de 0,7ºC.
Para que a temperatura da Terra não ultrapasse a
barreira dos 2ºC, considerada “segura”, o IPCC
recomendou que as emissões de gases que provocam o
efeito estufa sejam reduzidas entre 25% e 40% (em
comparação com 1990) até 2020.
Na reunião em Copenhague, representantes de 192 países
vão tentar superar as diferenças para chegar a um acordo
que estabeleça novos cortes obrigatórios de emissões
para os países ricos e voluntários para os em
desenvolvimento, além da provisão de fundos para adaptar
os países mais pobres e vulneráveis às mudanças
climáticas e financiar ações contra o desmatamento,
responsável por entre 12% e 20% das emissões mundiais.
Entenda a negociação do
clima
Luana Lourenço
Da Agência Brasil
Brasília - Entenda o que estará em jogo durante a
realização da Conferência das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas que começa nesta segunda-feira (7)
em Copenhague, na Dinamarca.
A COP-15 em Copenhague
De 7 a 18 de dezembro, a Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas, que abrange 192
países, vai se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para
a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O
objetivo é traçar um acordo global para definir o que
será feito para reduzir as emissões de gases de efeito
estufa após 2012, quando termina o primeiro período de
compromisso do Protocolo de Quioto.
O Protocolo de Quioto
Assinado em 1997 e ratificado em 2005, o Protocolo de
Quioto estabelece metas de redução de emissões de gases
de efeito estufa para os países desenvolvidos, que
historicamente contribuíram mais para a concentração
desses gases na atmosfera. O acordo determina a redução
em 5% das emissões, em relação aos níveis de 1990. O
primeiro período de compromisso do protocolo termina em
2012. A reunião de Copenhague terá que definir os
próximos passos do acordo climático global.
O que está em jogo
O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática
(IPCC, na sigla em inglês), formado por 2,5 mil
cientistas, afirma que a Terra já aqueceu cerca de 0,7
graus Celsius (ºC) desde a Revolução Industrial. O IPCC
projetou cenários futuros que preveem o aquecimento do
planeta em pelo menos 1,8°C até o fim deste século,
dependendo das medidas tomadas pelos países para reduzir
as emissões.
Metas x Compromissos voluntários
O Protocolo de Quioto prevê metas obrigatórias de
redução de emissões de gases de efeito estufa para a
União Europeia e mais 37 países industrializados. Os
países em desenvolvimento, caso do Brasil, da China e
Índia, não têm reduções obrigatórias. Metas obrigatórias
para esses países não deverão entrar no texto que sairá
da COP-15, mas essas nações serão cobradas a ter
compromissos mensuráveis, reportáveis e verificáveis de
redução de emissões em nível nacional.
Principais pontos da negociação
Além das novas metas e compromissos de redução de
emissões de gases de efeito estufa para o período
pós-Quioto, na COP-15 os países terão que negociar como
será feita a transferência de tecnologia de países
industrializados para que os países em desenvolvimento
possam realizar ações de mitigação e adaptação às
mudanças climáticas. O financiamento dessas ações também
não está definido. O Banco Mundial estima que sejam
necessários pelo menos US$ 400 bilhões por ano para que
os países em desenvolvimento enfrentem as mudanças do
clima.
A preservação de florestas para evitar emissões de gases
de efeito estufa deve ser incluída no acordo, no
mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e
Degradação, o Redd. É preciso definir como os países que
mantêm a floresta em pé serão recompensados: por meio de
um fundo com contribuições internacionais voluntárias,
com a geração de créditos de carbono negociáveis no
mercado ou com um mecanismo híbrido entre fundos e
mercado.
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